Atuar no lugar do seu dia a dia com o mundo nas mãos para fazer do mundo uma só família no amor!

"Os cristãos leigos são homens e mulheres da Igreja no coração do mundo, homens e mulheres do mundo no coração da Igreja!" (PUEBLA 789)

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Solenidade de São Francisco Xavier

No Centro de Animação Missionária da Vila Mariana em São Paulo, foi celebrada nessa semana a Solenidade de São Francisco Xavier.

Celebrou a santa missa o padre Rafael Lopez Villasenor e co-celebraram os padres Jorge Villagomes, Giovanni Mezadri e Jair Julião. Na homilia foi lembrado que a Congregação Xaveriana celebrou 122 anos de fundação, bem como o chamado de Xavier ao serviço missionário e o despertar do ímpeto de São Guido Maria Conforti ao conhecer a biografia de Xavier em querer realizar o sonho de ir à China levar o Evangelho, anunciando Jesus a todos os povos, trazendo a meditação de que cada porta que se fecha é uma oportunidade que pode nos abrir um mundo de possibilidades.


Meditando sobre isso e recordando que São Guido tinha uma saúde debilitada que o limitou de partir em missão, mas possibilitou que fundasse um Instituto Missionário que enviasse jovens missionários à China. E foi também quando a China comunista, para onde eram enviados inicialmente todos os missionários, se fechou a receber os xaverianos que a Congregação expandiu e enviou missionários a outras localidades, estando presente hoje em quatro continentes da Terra. 


Que todos nós, nos reconhecendo pecadores, mas enviados de Cristo, possamos levar o seu Amor a todos os cantos onde formos!

Houve a participação de amigos dos xaverianos, das irmãs xaverianas Ester e Beth que atuam na periferia da zona oeste, no Morro Doce e também da jovem Ingrid Matos que é da Juventude Xaveriana e Patricia Nunes Araujo que pertence aos Leigos Missionários Xaverianos - Brasil Sul.
São Francisco Xavier escreveu que ao final do dia tinha os braços cansados de tanto batizar. Mas que no outro dia iniciava a jornada novamente.

Que nós mesmo cansados em nossa jornada, não esqueçamos do Amor de Deus por nós e de agradecer por isso buscando tornar seu Amor conhecido ao maior número de irmãos.

Um ótimo dia!!


terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Agradecimento aos Xaverianos - Paróquia Nossa Senhora Aparecida - Hortolândia

Por ocasião da entrega da Paróquia Xaveriana Nossa Senhora Aparecida de Hortolânda à Diocese no final de novembro, a leiga missionária xaveriana, paroquiana Rita Leite escreveu um agradecimento emocionado aos padres xaverianos pela atuação de quase 35 anos no bairro.

Agradecidos a Deus pelos Missionários Xaverianos

Atendendo o mandato de Jesus "Ide ao mundo e anunciai o Evangelho", em 1983 os Missionários Xaverianos chegaram ao Jardim Rosolem, na cidade de Hortolândia/SP. Nesta época o bairro não tinha nenhuma infra-estrutura, nos faltava tudo, menos a fé e a vontade de colaborar na evangelização. 
Nosso primeiro Pároco Padre Arnaldo De Vidi com muita coragem, fé e amor cuidou desse rebanho povo pobre e sofrido. O carisma dos xaverianos logo encantou o povo de Deus e juntamente com nosso Pároco fomos formando pequenas comunidades e assim nasceu a Paróquia Nossa Senhora Aparecida. Muito aprendemos com nosso querido Padre Arnaldo e depois dele vieram tantos outros missionários xaverianos que nos ajudaram a crescer na fé em Jesus Cristo no amor ao próximo e na vivência da fraternidade universal. 

Queremos dizer muito obrigado a todos os missionários que deixando sua terra, sua família e impulsionados pelo amor de Cristo vieram até nós e nos ajudaram nesta caminhada de fé. Depois de 34 anos de sua presença missionária, estando nossa Paróquia suficientemente autônoma, partem para outras periferias, pois este é o mandato de Jesus: Ide a todos os povos. Nosso muito obrigado a todos os Missionários Xaverianos que por aqui passaram que doaram seu tempo, sua vida, e seu amor ao povo de Deus. Nosso eterno agradecimento também aos que já estão na casa do Pai e que ficarão para sempre em nosso coração, de maneira especial Pe Gino Nassini nosso último Pároco xaveriano. 

Não temos palavras para agradecer por tudo que fizeram por nós nestes 34 anos somente Deus poderá recompensá-los. Também agradecemos de maneira especial nosso querido amigo Pe Luiz Roberto (Beto) nosso administrador Paroquial. Deus os abençoe por tanto amor e dedicação. A Paróquia Nossa senhora Aparecida, Jardim Rosolem Hortolândia SP, sente a partida de vocês, mas fomos privilegiados por todos estes anos de caminhada de fé, lutas e aprendizado da vivencia do amor fraterno.

Obrigado queridos missionários xaverianos pela generosidade,carinho e amizade, enfim por tudo que fizeram por nós. São Guido Maria Conforti os proteja e os ajude no testemunho vivo e fiel de Jesus Cristo a todos os povos onde forem enviados.

Unidos em Cristo!
Rita Leite

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Nota da CNBB sobre o atual momento político: vencer a tentação do desânimo!


Por meio de nota, divulgada nesta quinta-feira, 26, em coletiva de imprensa na sede provisória da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília (DF), a presidência da CNBB manifestou mais uma vez sua apreensão e indignação com a grave realidade político-social vivida pelo país, que afeta tanto a população quanto as instituições brasileiras. No texto, a entidade repudia a falta de ética que se instalou nas instituições públicas, empresas, grupos sociais e na atuação de inúmeros políticos que “traindo a missão para a qual foram eleitos, jogam a atividade política no descrédito”.

A Conferência criticou também a apatia e o desinteresse pela política, que cresce cada dia mais no meio da população brasileira, inclusive nos movimentos sociais. Apesar de tudo, a entidade diz que é preciso vencer a tentação do desânimo, pois só uma reação do povo, consciente e organizado, no exercício de sua cidadania é capaz de purificar a política e a esperança dos cidadãos que “parecem não mais acreditar na força transformadora e renovadora do voto”.
Confira, abaixo, a nota na íntegra:
Nota da CNBB sobre o atual momento político
“Aprendei a fazer o bem, buscai o que é correto, defendei o direito do oprimido” (Is 1,17)
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, através de seu Conselho Permanente, reunido em Brasília de 24 a 26 de outubro de 2017, manifesta, mais uma vez, sua apreensão e indignação com a grave realidade político-social vivida pelo País, afetando tanto a população quanto as instituições brasileiras.


Repudiamos a falta de ética, que há décadas, se instalou e continua instalada em instituições públicas, empresas, grupos sociais e na atuação de inúmeros políticos que, traindo a missão para a qual foram eleitos, jogam a atividade política no descrédito. A barganha na liberação de emendas parlamentares pelo Governo é uma afronta aos brasileiros.



A retirada de indispensáveis recursos da saúde, da educação, dos programas sociais consolidados, do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), do Programa de Cisternas no Nordeste, aprofunda o drama da pobreza de milhões de pessoas. O divórcio entre o mundo político e a sociedade brasileira é grave.


A apatia, o desencanto e o desinteresse pela política, que vemos crescer dia a dia no meio da população brasileira, inclusive nos movimentos sociais, têm sua raiz mais profunda em práticas políticas que comprometem a busca do bem comum, privilegiando interesses particulares. Tais práticas ferem a política e a esperança dos cidadãos que parecem não mais acreditar na força transformadora e renovadora do voto. É grave tirar a esperança de um povo. Urge ficar atentos, pois, situações como esta abrem espaço para salvadores da pátria, radicalismos e fundamentalismos que aumentam a crise e o sofrimento, especialmente dos mais pobres, além de ameaçar a democracia no País.


Apesar de tudo, é preciso vencer a tentação do desânimo. Só uma reação do povo, consciente e organizado, no exercício de sua cidadania, é capaz de purificar a política, banindo de seu meio aqueles que seguem o caminho da corrupção e do desprezo pelo bem comum. Incentivamos a população a ser protagonista das mudanças de que o Brasil precisa, manifestando-se, de forma pacífica, sempre que seus direitos e conquistas forem ameaçados.


Chamados a “esperar contra toda esperança” (Rm 4,18) e certos de que Deus não nos abandona, contamos com a atuação dos políticos que honram seu mandato, buscando o bem comum.
Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, anime e encoraje seus filhos e filhas no compromisso de construir um País justo, solidário e fraterno.
Brasília, 26 de outubro de 2017


CNBB se pronuncia contra o fundamentalismo e a intolerância


Motivados por acontecimentos recentes envolvendo a utilização de símbolos religiosos da fé católica em manifestações isoladas e exposições “artísticas”, os bispos que integram o Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), elaboraram a mensagem ao povo brasileiro, divulgada em Coletiva de Imprensa, realizada na sede da entidade, dia 26/10.
No documento, os bispos reconhecem que “em toda sua história, a Igreja sempre valorizou a cultura e a arte, por revelarem a grandeza da pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus, fazendo emergir a beleza que conduz ao divino”.
Contudo, recentemente, a mensagem destaca que “crescem em nosso meio o desrespeito e a intolerância que destroem esta harmonia, que deve marcar a relação da arte com a fé, da cultura com as religiões. Se, por um lado, a arte deve ser livre e criativa, por outro, os artistas e responsáveis pela promoção artística não podem desconsiderar os sentimentos de um povo ou de grupos que vivem valores, muitas vezes, revestidos de uma sacralidade inviolável”.

Integram o Conselho Permanente da CNBB, a presidência da entidade, os bispos presidentes das Comissões Episcopais Pastorais (CONSEP) e os bispos presidentes dos 18 regionais da CNBB.

Confira, abaixo, a íntegra do documento.

Vencer a intolerância e o fundamentalismo
“E Deus viu tudo quanto havia feito, e era muito bom”  (Gn 1,31)
Os bispos do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, reunidos em Brasília de 24 a 26 de outubro de 2017, dirigem esta mensagem ao povo brasileiro, diante de recentes fatos que, em nome da arte e da cultura, desrespeitaram a sexualidade humana e vilipendiaram símbolos e sinais religiosos, dentre eles o crucifixo e a Eucaristia, tão caros à fé dos católicos.
Em toda sua história, a Igreja sempre valorizou a cultura e a arte, por revelarem a grandeza da pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus, fazendo emergir a beleza que conduz ao divino. “A arte é como uma porta aberta para o infinito, para uma beleza e para uma verdade que vão mais além da vida quotidiana” (Bento XVI – 2011). O mundo no qual vivemos, ensina Paulo VI, precisa de beleza para não cair no desespero (Cf. Mensagem aos Artistas – 1965).
Reconhecemos que “para transmitir a mensagem que Cristo lhe confiou, a Igreja tem necessidade da arte” (São João Paulo II – Carta aos artistas 1999). Somos, por isso, agradecidos aos artistas pela infinidade de obras que enriquecem a cultura, animam o espírito e inspiram a fé. Merecem destaque a pintura, a música, a arquitetura, a escultura e tantas outras expressões artísticas que ressaltam a beleza da criação, do ser humano, da sexualidade, e o espírito religioso do povo brasileiro. Arte e fé, portanto, devem caminhar unidas, numa harmonia que respeita os valores e a sensibilidade de cada uma e de toda pessoa humana na sua cultura e nos seus valores.
Lamentavelmente, crescem em nosso meio o desrespeito e a intolerância que destroem esta harmonia, que deve marcar a relação da arte com a fé, da cultura com as religiões. Se, por um lado, a arte deve ser livre e criativa, por outro, os artistas e responsáveis pela promoção artística não podem desconsiderar os sentimentos de um povo ou de grupos que vivem valores, muitas vezes, revestidos de uma sacralidade inviolável. O desrespeito e a intolerância, por parte de artistas para com esses valores, fecham as portas ao diálogo, constroem muros e impedem a cultura do encontro. Preocupam, portanto, o nível e a abrangência destas intolerâncias que, demasiadamente alimentadas em redes sociais, têm levado pessoas e grupos a radicalismos que põem em risco o justo apreço pela arte, a autêntica liberdade, a sexualidade, os direitos humanos, a democracia do País.
Vivemos numa sociedade pluralista, por isto, precisamos saber conviver com os diferentes. Isso, contudo, não subtrai à Igreja o direito de anunciar o Evangelho e as verdades nele contidas, a respeito de Deus, do ser humano e da criação. Em desacordo com ideologias como a de gênero, é nosso dever ressaltar, sempre mais, a beleza do homem e da mulher, tais como Deus os criou, bem como os valores da fé, expressos também nos símbolos religiosos que, com sua arte e beleza, nos remetem a Deus. Desrespeitar estes símbolos é vilipendiar o coração de quem os considera instrumentos sagrados na sua relação com Deus, além de constituir crime previsto no Código Penal.
Animamos a sociedade brasileira a promover o diálogo e o encontro, por meio dos quais as pessoas, em suas diferenças, respeitam e exigem respeito, e permitem sentir a riqueza que cada um traz dentro de si.
Nossa Senhora Aparecida, Mãe e Padroeira dos brasileiros, nos ensine o caminho da beleza e do amor, da fraternidade e da paz.
Brasília, 26 de outubro de 2017.
Cardeal Sergio da Rocha

Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo S. R. Krieger

Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner

Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB


domingo, 22 de outubro de 2017

2019 MÊS MISSIONÁRIO EXTRAORDINÁRIO

Neste domingo (22/10), memória litúrgica de São João Paulo II e Dia Mundial das Missões, o Papa Francisco enviou uma carta ao Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, Cardeal Fernando Filoni, em vista do Mês Missionário Extraordinário em outubro de 2019,  e do centenário da promulgação da Carta Apostólica Maximum illud sobre a atividade dos missionários no mundo, publicada em 1919 pelo Papa Bento XVI. O centenário da carta será celebrado em 30 de novembro de 2019.

Foi por esse motivo que o Papa prometeu que pedirá a toda a Igreja para dedicar o mês de outubro de 2019 para a finalidade missionária.
O mês extraordinário de oração e reflexão sobre a missão, como a primeira evangelização, diz o Papa, servirá para uma maior renovação da fé eclesial, para que seu coração atue sempre a Páscoa de Jesus Cristo, único Salvador, Senhor e Esposo da sua Igreja.

Francisco frisou que a Renovação "exige viver a missão como oportunidade permanente de anunciar Cristo, mediante o testemunho e o encontro pessoal com ele".
A preparação deste tempo extraordinário, dedicado ao primeiro anúncio do Evangelho, segundo o Papa, deve ajudar-nos sempre a sermos mais Igreja em missão.

Segue, na íntegra, a carta do Papa Francisco ao Cardeal Filoni.
Ao Venerado Irmão 
Cardeal Fernando Filoni
Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos
No dia 30 de novembro de 2019, ocorrerá o centenário da promulgação da Carta Apostólica Maximum illud, com a qual Bento XV quis dar novo impulso à responsabilidade missionária de anunciar o Evangelho. Estávamos no ano de 1919! Terminado um conflito mundial terrível, que ele mesmo definiu "massacre inútil" , o Papa sentiu necessidade de requalificar evangelicamente a missão no mundo, purificando-a de qualquer incrustação colonial e preservando-a daquelas ambições nacionalistas e expansionistas que causaram tantos revés. "A Igreja de Deus é universal – escrevia –, nenhum povo lhe é estranho" , exortando ele também a rejeitar qualquer forma de interesses, já que só o anúncio e a caridade do Senhor Jesus, difundidos com a santidade da vida e as boas obras, constituem o motivo da missão. Assim Bento XV deu um particular impulso à missão ad gentes, esforçando-se, com os meios conceituais e comunicativos de então, por despertar, especialmente no clero, a consciência do dever missionário.

Este dá resposta ao perene convite de Jesus: "Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda criatura" (Mc 16, 15). Aderir a este mandato do Senhor não é opcional para a Igreja; é uma "obrigação" que lhe incumbe, como recordou o Concílio Vaticano II , pois a Igreja "é, por sua natureza, missionária". "Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar". A fim de corresponder a tal identidade e proclamar Jesus crucificado e ressuscitado por todos, como Salvador vivente, Misericórdia que salva, "a Igreja, movida pelo Espírito Santo, deve – afirma também o Concílio – seguir o mesmo caminho de Cristo: o caminho da pobreza, da obediência, do serviço e da imolação própria até à morte" , de modo que comunique realmente o Senhor, "modelo da humanidade renovada e imbuída de fraterno amor, sinceridade e espírito de paz, à qual todos aspiram".
Aquilo que há quase cem anos Bento XV tinha a peito e que o documento conciliar nos está a recordar há mais de cinquenta anos, permanece plenamente atual. Hoje, como então, "enviada por Cristo a manifestar e a comunicar a todos os homens e povos a caridade de Deus, a Igreja reconhece que tem de levar a cabo uma ingente obra missionária" . A propósito, São João Paulo II observou que "a missão de Cristo redentor, confiada à Igreja, está ainda bem longe do seu pleno cumprimento" e que "uma visão de conjunto da humanidade mostra que tal missão está ainda no começo, e que devemos empenhar-nos com todas as forças no seu serviço". Por isso ele, com palavras que eu gostaria agora de repropor a todos, exortou a Igreja a um "renovado empenho missionário", convicto de que "a missão renova a Igreja, revigora a sua fé e identidade, dá-lhe novo entusiasmo e novas motivações. É dando a fé que ela se fortalece! A nova evangelização dos povos cristãos também encontrará inspiração e apoio, no empenho pela missão universal" .
 


Ao recolher na Exortação Apostólica Evangelii gaudium os frutos da XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, convocada para refletir sobre a nova evangelização para a transmissão da fé cristã, quis apresentar de novo a toda a Igreja a mesma impelente vocação: "João Paulo II convidou-nos a reconhecer que “não se pode perder a tensão para o anúncio” àqueles que estão longe de Cristo, “porque esta é a tarefa primária da Igreja”. A atividade missionária “ainda hoje representa o máximo desafio para a Igreja” e “a causa missionária deve ser (…) a primeira de todas as causas”. Que sucederia se tomássemos realmente a sério estas palavras? Simplesmente reconheceríamos que a ação missionária é o paradigma de toda a obra da Igreja".  

E tudo aquilo que pretendia expressar continua ainda a parecer-me inadiável: "possui um significado programático e tem consequências importantes. Espero que todas as comunidades se esforcem por atuar os meios necessários para avançar no caminho duma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão. Neste momento, não nos serve uma “simples administração”. Constituamo-nos em “estado permanente de missão”, em todas as regiões da terra" . Com confiança em Deus e muita coragem, não temamos empreender "uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo atual que à auto-preservação. A reforma das estruturas, que a conversão pastoral exige, só se pode entender neste sentido: fazer com que todas elas se tornem mais missionárias, que a pastoral ordinária em todas as suas instâncias seja mais comunicativa e aberta, que coloque os agentes pastorais em atitude constante de “saída” e, assim, favoreça a resposta positiva de todos aqueles a quem Jesus oferece a sua amizade. Como dizia João Paulo II aos Bispos da Oceânia, “toda a renovação na Igreja há de ter como alvo a missão, para não cair vítima duma espécie de introversão eclesial” .
Com espírito profético e ousadia evangélica, a Carta Apostólica Maximum illud exortara a sair das fronteiras das nações, para testemunhar a vontade salvífica de Deus através da missão universal da Igreja. A aproximação do seu centenário sirva de estímulo para superar a tentação frequente que se esconde por detrás de cada introversão eclesial, de todo o fechamento autorreferencial nas próprias fronteiras seguras, de qualquer forma de pessimismo pastoral, de toda a estéril nostalgia do passado, para, em vez disso, nos abrirmos à jubilosa novidade do Evangelho. Também nestes nossos dias, dilacerados pelas tragédias da guerra e insidiados pela funesta vontade de acentuar as diferenças e fomentar os conflitos, seja levada a todos, com renovado ardor, e infunda confiança e esperança a Boa Nova de que, em Jesus, o perdão vence o pecado, a vida derrota a morte e o medo e triunfa sobre a angústia.

Com estes sentimentos, acolhendo a proposta da Congregação para a Evangelização dos Povos, proclamo outubro de 2019 como Mês Missionário Extraordinário, com o objetivo de despertar em medida maior a consciência da missão ad gentes e retomar com novo impulso a transformação missionária da vida e da pastoral. Poderemos preparar convenientemente para ele já através do mês missionário de outubro do próximo ano, de modo que todos os fiéis tenham verdadeiramente a peito o anúncio do Evangelho e a transformação das suas comunidades em realidades missionárias e evangelizadoras e aumente o amor pela missão, que "é uma paixão por Jesus e, simultaneamente, uma paixão pelo seu povo" .

A ti, venerado Irmão, ao Dicastério a que presides e às Pontifícias Obras Missionárias, confio a tarefa de pôr em marcha a preparação deste acontecimento, especialmente através duma ampla sensibilização das Igrejas Particulares, dos Institutos de Vida Consagrada e das Sociedades de Vida Apostólica, bem como das associações, movimentos, comunidades e outras realidades eclesiais. Que o Mês Missionário Extraordinário se torne uma ocasião de graça intensa e fecunda para promover iniciativas e intensificar de modo particular a oração – alma de toda a missão –, o anúncio do Evangelho, a reflexão bíblica e teológica sobre a missão, as obras de caridade cristã e as ações concretas de colaboração e solidariedade entre as Igrejas, de modo que se desperte e jamais nos seja roubado o entusiasmo missionário .
Do Vaticano, no dia 22 de outubro – XXIX Domingo do Tempo Ordinário, Memória de São João Paulo II, Dia Mundial das Missões – do ano de 2017.

FRANCISCUS